Eduardo Bonates

Reforma tributária e o grande risco da taxação do pix e do cartão de crédito

Eduardo Bonates
Advogado especialista em Contencioso Tributário e Zona Franca de Manaus

Nas últimas semanas, o noticiário brasileiro foi envolvido num verdadeiro tiroteio entre os Poderes Executivo e Legislativo sobre a forma de arrecadação e gasto das verbas públicas. Isso porque a Câmara dos Deputados e Senado Federal se envolveram numa querela com o secretário extraordinário para a Reforma Tributária, Bernardo Appy, em questões que envolvem a forma e a cobrança de tributos federais.
Os senadores prometeram afrouxar as regras da reforma tributária para atender ao interesse de profissionais liberais, que teriam direito a um regime especial de tributação pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), tributo que seria criado na reforma em substituição ao ISS pago atualmente por esses profissionais. Existem aproximadamente 40 entidades interessadas nesse regime exclusivo.
O temor é que a alíquota dessas classes se eleve de 5% para 25%, o que certamente encareceria o custo Brasil e geraria um aumento da inflação. O Ministério da Fazenda não informou a potencial perda de arrecadação com essa movimentação.
Os deputados federais então enviaram mais mensagens negativas para o Governo Lula. Isso porque a aprovação do arcabouço fiscal na Câmara teve a derrubada de uma emenda governista que abriria um espaço no Orçamento em mais de R$ 38 bilhões. O arcabouço fiscal, vendido pelo governo federal como uma forma de equilibrar as contas públicas, já era tido pelo mercado como de difícil cumprimento e com essa derrota já é ventilado como uma mera peça de ficção que não será cumprida.
Diante dessas duas pesadas derrotas, o governo federal então se movimentou e o secretário extraordinário para Reforma Tributária, Bernard Appy, informou que essas exceções criadas no Congresso Nacional por deputados e senadores deverão implicar no aumento da carga tributária para as empresas. Appy foi além e acrescentou que o imposto a ser criado com a Reforma Tributária (IVA - Imposto sobre Valor Agregado) incidirá na liquidação financeira da operação do TED, DOC, pix ou até cartão de crédito. Ainda segundo o secretário, a cobrança seria feita automaticamente para quem usar os meios digitais.
Nessa disputa entre Câmara, Senado e Governo Lula, quem sairá chamuscado é obviamente o contribuinte brasileiro. As benesses criadas por senadores e deputados serão arcadas pelo brasileiro comum. Certamente o governo federal não admitirá perder arrecadação e já trabalha para criar o sistema de arrecadação mais eficiente do mundo. Preparem-se, teremos tempos sombrios pela frente.

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